quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Abricó: Plantas curam (Mammea americana)

Abricó

Mammea americana

O Abricó possui um fruto carnoso, que possui apenas uma semente, dos seus brotos produz-se uma bebida embriagante chamada momin. Essa planta possui propriedades depurativas do sangue.

Descrição : Planta da Família das Clusiaceae, também conhecida como abricó-do-pará, abricó-das-antilhas, mamae, abricó-selvagem, abricoteiro, abricote, abricó-de-são-domingos e abricote.
Trata-se de uma árvore muito frondosa e grande, piramidal, chegando mesmo a ter 15 metros de altura; suas folhas são oblongo obtusas, coriáceas, verde escuras, nernicosas, medindo até 14 cm de comprimento e são pecioladas.
Suas flores são brancas e perfumadas, solitárias ou em pares opostos, seu fruto é carnoso, quase redondo, muito duro, medindo 15 a 22 centímetros de diâmetro, contendo sementes, ou melhor, quase sempre uma só semente que mede até 7 cm de diâmetro.
Dos seus brotos amassados e fermentados extrai-se uma bebida, tipo vinho embriagante, que nos países que a fabricam recebe o nome de "Momin", ou "Toddy". Suas flores, submetidas à destilação, dão a "água-de-crioulos", ou o "creme-dos-crioulos", produtos fabricados em Cabo Verde e nas Antilhas como digestivos e refrigerantes.
Em Cabo Verde é conhecida como Mamão.
Seu fruto conserva indefinidamente o aroma e o sabor da polpa. Muito grande o seu consumo nos Estados Unidos da América, no Brasil no estado do Pará é bastante consumida.

abricó de praia

Indicações: avitaminose Q, digestivo, febre, ferida, inseticida (bicho-do-pé, pulgões), limpeza do sangue, malária, picada de insetos, reumatismo, vermes.
A resina que a casca da árvore solta, assim como as folhas e a raiz, são vulnerárias e inseticidas, principalmente contra o conhecido "bicho-de-pé", além de constituírem excelente remédio para picada de insetos.
As sementes, amargas e resinosas, são antí-helmínticas.
São comestíveis, sendo que sua fruta amarelo-avermelhada pesa até 4kg e é excelente para a confecção de xaropes, compotas e mesmo preparada com vinho e açúcar constitui ótimo alimento. É também ornamental.




Cuidados : Seu o fruto vai à mesa no estado natural, sendo que, no entanto, exige grande cuidado o seu descascamento porque tanto a casca como a massa, onde se encontra a polpa, contém uma substância fortemente amarga e acre, cujo contato com os lábios ou a língua produz mal estar e permanece durante algumas horas.

Habitat : É cultivada em toda parte do Brasil, especialmente no Estado do Pará.

Plantio : Multiplicação, reproduz-se por sementes;

Cultivo: Plantio por sementes ou mudas, de setembro a novembro em climas quentes e úmidos, não exige solos férteis. Espaçamento de 6m X 6m.

Colheita: colhem-se os frutos no outono.




segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Abobrinha e Jerimun (Trianosperma diversifolia)



Abobrinha e Jerimun

Trianosperma diversifolia

Existem dois tipos de abobrinhas, muito comuns no solo brasileiro, a Trianosperma diversifolia e a Trianosperma Tayuya, usadas tradicionalmente na culinária popular. Suas propriedades medicinais são indicadas para casos de eripsela e uso veterinário.

Descrição : Planta pertencente à família das Cucurbitáceas, também conhecida como Abobrinha, jerimum-mirim, courgette, cabacinha e curgete.

As flores são pequenas, amareladas ou esbranquiçadas.

O fruto tem formato ovoide, é pequeno e vermelho, esclarece Peckolt* que o fruto ainda verde possui sabor acre, amargo e enjoativo, de aroma desagradável.

Com certeza a abobrinha é uma planta muito utilizada na culinária brasileira,porém possui propriedades medicinais.

Também existe a erva da mesma família, a Wilbrandia verticillata, com fruto ovoide e liso e folhas curto pecioladas, é que nos informa Pio Correia,** "O fruto é drástico e a raiz," tuberosa e muito amarga.

Origem : Originou-se no continente americano, do Peru até sul dos Estados Unidos.

Indicações: Empregada também nas hidropisias e erisipelas crônicas.

Na medicina veterinária parece ser usada com sucesso contra a cólera das galinhas.

Princípios Ativos: Tainina, trianospermina, óleo gorduroso verde-escuro e resina mole.

Propriedades medicinais: Antidiabético, antissifilítica, purgativa e depurativa.


Os Tipos de Abobrinha

Existem dois tipos de abobrinha que são mais comuns no mercado brasileiro : A abobrinha do tipo menina, que tem o fruto com pescoço e a tipo italiana, com o fruto alongado sem pescoço.

Suas cores vão do verde bem claro, quase branco, até verde médio com faixas de cor verde mais escuro. Em alguns mercados, pode-se encontrar fruto de cor amarela forte e uniforme, que não deve ser confundido com o fruto verde amarelecendo por estar velho.

EMULSÃO DE JERIMUN

Planta medicinal: Jerimum (Abóbora) (Cucurbita pepo)

Material utilizado : A polpa do jerimum e água.

Modo de preparar a emulsão de jerimum

1)  Colocar um litro de água em uma panela.

2)  Colocar 100 gramas da polpa do jerimum cortados em pequenos pedaços.

3)  Cozinhar até reduzir à metade.

4)  Deixar amornar.

5)  Coar.

Quando e como usar emulsão de jerimum

Indicação: Prisão de ventre eventual.

Modo de usar: Temperar a gosto e comer aos poucos, ao longo do dia. Repetir o tratamento pelo tempo necessário à cura.

contraindicação: Não consta da literatura consultada. Porém, não se deve ultrapassar a dosagem.





quinta-feira, 10 de agosto de 2017

MÉTODOS E PRÁTICAS NA AGRICULTURA ORGÂNICA



MÉTODOS E PRÁTICAS NA AGRICULTURA ORGÂNICA

MANEJO AGROECOLÓGICO DO SOLO


Consiste na realização do manejo e preparo dos solos preservando o máximo possível a sua estrutura, por meio de técnicas de cultivo mínimo e plantio direto na palha. No plantio direto, não se prepara o solo com arações e gradagens antes da plantação, mas se utiliza de equipamentos e implementos de manejo de plantas de cobertura de solo, como roçadeiras, rolos-faca, trituradores, entre outros. Assim, uma camada de palha sobre o terreno, além de protegê-lo contra o impacto direto das chuvas intensas, que podem provocar erosões severas, dificulta o nascimento da vegetação espontânea, devido à redução da iluminação e ainda contribui para reduzir o aquecimento excessivo do solo e a emissão de CO2, gás causador do efeito estufa.

ADUBAÇÃO ORGÂNICA

Sistemas orgânicos utilizam adubos na forma de estercos de animais, compostos orgânicos ou outras fontes recomendadas pelas normas técnicas de produção. A produção de composto orgânico na propriedade é uma excelente estratégia para obter um adubo orgânico de alta qualidade e baixo custo. O método de produção desse insumo adotado na Unidade de Referência em Agroecologia (URA) do Incaper é o sistema ‘Indore’, em pilhas de resíduos, em camadas alternadas, com reviramentos periódicos. O composto é aplicado a lanço ou localizado em sulcos ou covas das diversas culturas orgânicas estudadas. A Figura1 mostra o pátio de compostagem da URA e a aplicação localizada em covas, em área preparada para plantio de tomate orgânico.


ADUBAÇÃO VERDE

Uma das técnicas essenciais na agricultura orgânica e muito utilizada na URA é o emprego de plantas melhoradoras de solo, como as leguminosas para a fixação biológica de nitrogênio e as gramíneas para fixação de carbono e melhoria da estrutura física do solo. Essas espécies de plantas para adubação verde podem ser utilizadas em cultivos solteiros, consorciados ou por meio de árvores adubadeiras (Figura 2). A técnica da adubação verde consiste no cultivo de plantas enriquecedoras do sistema de produção, que conferem aumento de produtividade de até 50% e melhoria significativa no padrão comercial do produto orgânico.


COBERTURA MORTA E PROTEÇÃO DO SOLO

O emprego de resíduos vegetais sobre a superfície do solo proporciona sua proteção contra insolação excessiva e erosão, retenção de umidade, economia de água, ativação biológica do solo e favorecimento do desenvolvimento das plantas.
Essas múltiplas funções da cobertura morta desempenham papel fundamental para a saúde do sistema, especialmente daqueles que manejam intensivamente o solo, com culturas de ciclo curto, como na olericultura orgânica.

MANEJO DE ERVAS ESPONTÂNEAS

O manejo das ervas de forma associada aos cultivos comerciais na agricultura orgânica é fundamental para a preservação de habitat, que podem constituir locais para refúgio de predadores e, consequentemente, influenciar o equilíbrio ecológico. Essa prática também auxilia na proteção do solo e na ciclagem de nutrientes. O manejo deve ser realizado por meio de corredores de refúgio e capina em faixa, de modo a evitar a concorrência das ervas espontâneas com a cultura de interesse comercial e mantê-las parcialmente no sistema. Esses pequenos habitat servem para abrigar predadores de pragas agrícolas, como vespas, aranhas, sapos, rãs e outros insetos e animais que são fundamentais para a manutenção da cadeia alimentar do ecossistema local.

ADUBAÇÕES SUPLEMENTARES COM BIOFERTILIZANTES LÍQUIDOS

O emprego de biofertilizantes pode ser feito via solo ou via foliar utilizando-se preferencialmente soluções preparadas com recursos locais. O uso de biofertilizantes enriquecidos com minerais e de biofertilizantes preparados apenas com esterco bovino fresco e água são opções bastante eficientes. Além deles, biofertilizantes líquidos enriquecidos com vegetais e cinzas, e chorumes preparados à base de composto orgânico também são bastante utilizados.

ADUBAÇÕES AUXILIARES COM FERTILIZANTES MINERAIS DE BAIXA SOLUBILIDADE

O uso de minerais de baixa solubilidade, que não alteram o equilíbrio do sistema solo/planta, é uma prática importante nos sistemas orgânicos. Utilizamse pós de rochas de várias fontes, a exemplo dos fosfatos naturais empregados para a correção de deficiências em fósforo nos sistemas produtivos. A utilização de pós de rochas também tem sido muito útil para a remineralização de solos muito intemperizados repondo microelementos importantes para a nutrição e para o equilíbrio fitossanitário das plantações orgânicas.


Maracujá banana



Nome científico: Passiflora mollissima
Sinonímias: Passiflora tripartita var. mollissima, Passiflora tomentosa var. mollissima, Tacsonia mollissima, Murucuia mollissima
Nomes comuns: Maracujá-banana, Curuba
Família: Passifloraceae
Origem: América do Sul



A planta maracujá-banana é uma trepadeira com um ciclo de vida perene e pode atingir cerca de 7 metros de comprimento. As suas folhas verdes e brilhantes são alternas e pecioladas com lóbulos oblongo-lanceolados. As suas flores são grandes, rosadas, solitárias e tubulares pendentes. O seu fruto é uma baga oblonga de cor verde enquanto se desenvolve e amarela quando madura, esta contém uma polpa alaranjada e muitas sementes pretas.

Utilizações: A polpa dos frutos maduros é comestível (tal como o maracujá, Passiflora edulis) e caracteriza-se por ter um sabor doce e ácido. Os maracujás-banana podem ser consumidos ao natural ou podem ser utilizados em doces, sumos, sobremesas, gelados ou como aromatizante para bebidas (cocktails, vinhos). Por exemplo, na Bolívia, o seu sumo misturado com aguardente e açúcar é servido como um cocktail antes do jantar. Na Colômbia retiram-se as sementes e serve-se a polpa com leite e açúcar.
 A planta é usada como ornamental devido às suas inúmeras e bonitas flores. Estas atraem muitos insetos polinizadores, como por exemplo as abelhas.



Cultivo: A planta é uma trepadeira vigorosa e resistente, sendo considerada umas das poucas espécie de maracujá que suporta relativamente bem o frio (até -5º). Deve ser plantada ao sol ou meia-sombra. Aprecia solos férteis e que tenham boa drenagem. Gosta de regas regulares no verão. Deve ser podada para que se mantenha saudável e para estimular a floração. Multiplica-se a partir de sementes.




Curiosidades: Em alguns artigos a Passiflora tarminiana aparece como sinónimo da P. mollissima, isto porque a primeira antigamente era considerada uma subespécie da segunda. Hoje, apesar das semelhanças, são reconhecidas características que distinguem as duas espécies; O nome comum deve-se ao facto do fruto se assemelhar a uma pequena banana direita e com pontas curvas; Esta planta pode durar 20 anos quando encontra as condições adequadas; Os frutos podem amadurecer à temperatura ambiente se a casca ainda se encontrar um pouco verde; Devemos ter em atenção o carácter invasor desta espécie em certos climas (como na Nova Zelândia, Havai e África do Sul).

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Importância da Horta Orgânica



As hortaliças, abrangendo mais de 100 espécies, são consumidas cruas, cozidas, industrializadas e como condimentos. Muitas são de conhecimento público, mas algumas só aparecem em mercados regionais fazendo parte de pratos típicos. A horta é essencial para a melhoria da qualidade de vida das famílias. A horta é importante sob o ponto de vista nutricional, como forma de terapia ocupacional, na melhoria do hábito de consumo das pessoas, na economia das famílias e até na manutenção e/ou melhoria da saúde e prevenção de doenças. É importante destacar, no entanto, que todos os benefícios proporcionados pela horta deixam de existir se forem utilizados agrotóxicos e adubos químicos. As hortaliças contaminadas provocam intoxicações nas pessoas e, especialmente, em pacientes internados e/ou usuários de instituições de saúde, podem causar graves danos a saúde destas pessoas pois, podem alterar os efeitos dos medicamentos. Relatório de 2009 da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, revela que 907 (29%) amostras de um total de 3.130 amostras coletadas no Brasil, incluindo todas as espécies pesquisadas, estavam contaminadas, alcançando no pimentão, uva, pepino, morango, couve, abacaxi, mamão, alface, tomate e beterraba até 80; 56,4; 54,8; 50,8; 44,2; 44,1; 38,8; 38,4; 32,6 e 32% de amostras contaminadas, respectivamente. Os agrotóxicos encontrados nestes cultivos, são ingredientes ativos com alto grau de toxicidade aguda comprovada, e que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer.
 . Importância nutricional
   Tudo o que se come são alimentos, que são compostos de substâncias denominadas nutrientes. Nutriente é a parte do alimento que vai exercer uma função de nutrição, no corpo humano. Os principais nutrientes são: glicídios (açúcares e amido), lipídios (gorduras), proteínas, minerais (cálcio, fósforo e ferro), vitaminas (A,B,C,E e K) e água. Os nutrientes essenciais ao organismo fornecem energia e desempenham função construtora, formando o sangue, os músculos e os órgãos, garantindo o crescimento e o desenvolvimento físico e mental. Outros, ainda, regulam e estimulam muitas funções que mantêm o perfeito funcionamento do corpo humano. 
   É importante lembrar que as vitaminas não se acumulam no organismo, por isso é necessário o consumo diário de hortaliças e frutas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo de vegetais superior a 400g/pessoa/dia para se preservar e/ou incrementar a saúde. 
  Convém, também, ressaltar que o hábito de consumo de hortaliças pode ser desenvolvido através da educação e até por insistência. Quase sempre, a insistência no consumo proporciona bons resultados e pode inclusive levar as pessoas a não dispensarem mais as hortaliças e frutas durante as refeições e os lanches. As crianças nascem sem gostar de sabores amargos, como o do brócolis. Se os pais quiserem que seus filhos aprendam a gostar de vegetais, principalmente os verde-escuros, precisam dar a eles oportunidades para prová-los. 
   Uma pesquisa publicada na revista americana "Pediatrics" sugere que os bebês podem se acostumar a comer hortaliças mesmo antes de nascer, com a ajuda das mães. Segunda essa pesquisa, o gosto das frutas e das hortaliças passa para o líquido amniótico, no útero, ainda durante a gravidez, e também para o leite materno, no período de amamentação. As crianças "aprendem" a gostar das hortaliças por serem expostas ao gosto, com freqüência, desde pequenas. Os sabores da dieta materna são transmitidos pelo líquido amniótico e pelo leite materno. É importante que a mãe coma de maneira regular hortaliças, para que o bebê aprenda a gostar destes alimentos. 
   As hortaliças são ricas em vitaminas e sais minerais, com bom teor de proteínas e fibras, além de outras virtudes dietéticas e até terapêuticas. Por isso, é comum os médicos incluí-las em regimes alimentares e na composição do cardápio diário. 
   A vitamina A (vitamina da beleza) é essencial para a saúde dos olhos, pele, dentes e cabelos, atuando sobre o crescimento e aumentando a resistência do organismo às doenças. Nas hortaliças, as fontes mais significativas são: abóbora, agrião, alface, batata-doce, cenoura (Figura 1), couve, espinafre, pimentão, tomate, salsa e feijão-vagem.

   A vitamina C, fundamental para aumentar a resistência do organismo às infecções, principalmente aos resfriados, é encontrada, especialmente nas frutas. As hortaliças (batata-doce, brócolis, couve, couve-flor, espinafre, ervilha, pimentão, quiabo, repolho, tomate e vagem) também possuem quantidades razoáveis de vitamina C. O organismo humano necessita de 75 mg de vitamina C por dia. 
   A vitamina B estimula o apetite, auxilia no crescimento, facilita a digestão, ajuda no funcionamento normal dos nervos e fortalece a pele e os cabelos. É encontrada em quantidade suficiente para completar as necessidades diárias do organismo humano, nas hortaliças: agrião, alface, beterraba, cenoura, couve-flor, ervilha, espinafre, pimentão, quiabo, repolho e feijão-vagem. 
    A vitamina E, importante para prevenir distúrbios cardiosvasculares e neurológicos, além de acelerar a cicatrização de ferimentos e aumentar a fertilidade, é encontrada, principalmente nas hortaliças alface e repolho . 
   A vitamina K, essencial para a biossíntese de vários fatores necessários para a coagulação do sangue e para a mineralização dos ossos, está presente nas hortaliças alface, couve, couve-flor, ervilha, espinafre, repolho e tomate. 
   Os sais minerais, reguladores que o organismo necessita em pequenas quantidades, como o cálcio, essencial para a formação de ossos e dentes, está presente em teor considerável nas hortaliças brócolis, couve, couve-flor e rabanete; o ferro, existente nas hortaliças couve, espinafre e beterraba faz parte do sangue, sendo que sua participação na dieta alimentar diária previne a anemia. As proteínas são essenciais para formação e renovação dos tecidos.       
   As proteínas controlam o crescimento, a digestão, a absorção, o transporte, a manutenção da pressão e a formação de anticorpos para defesa das doenças. Quando a necessidade não é suprida, o corpo retira o que precisa dos tecidos, enfraquecendo-se e diminuindo a resistência. Embora existam em outras fontes (proteína animal, levedo de cerveja, gérmen de trigo, gergelim e em todas as sementes que contém óleo), são encontradas em quantidades razoáveis nas hortaliças ervilha, brócolis, couve-flor, beterraba, feijão-vagem, espinafre, batata e batata-doce. 
    Os carbohidratos são responsáveis pela energia e pela força para as atividades mentais e para o trabalho. Porém, o que se consome em excesso é armazenado, dando início ao processo de obesidade. As hortaliças batata e batata-doce são as principais fontes. 
   As fibras são as partes de grãos, vegetais e frutas que não são digeridas pelo organismo humano, passando quase intactas pelo sistema digestivo e são eliminadas pelas fezes. Sem fibra suficiente, o processo digestivo pode ficar lento e a constipação (intestino preso) pode ocorrer. As fibras são importantes para regular a digestão e para prevenir doenças como diverticulite, arteriosclerose, apendicite, varizes, hemorróidas e certos tipos de tumores intestinais, além de auxiliar no controle das taxas de colesterol e glicose. Uma dieta rica em fibras e pobre em gorduras pode reduzir o risco de certos tipos de câncer, doenças do coração e diabetes de adulto. Alimentos ricos em fibras podem, ainda, ser úteis no controle de peso, prevenindo e tratando a obesidade. Os alimentos ricos em fibras saciam mais (ficando mais tempo no estômago) do que os alimentos refinados e, com isso, a tendência é ingerir menos calorias. Estão presentes em quantidades razoáveis nas hortaliças abóbora, almeirão, alface, aipo, agrião, chicória, cebola, couve, espinafre, jiló, pimentão e cenoura crua. Estima-se que um adulto deve ingerir 5 a 8g de fibras por dia, obtidas com o consumo diário somente de hortaliças. Existem certos alimentos que, em termos de nutrição, são mais completos do que outros. São alimentos que estão repletos de vitaminas, minerais e antioxidantes que beneficiam a saúde. Por isso, um grupo de 20 são chamados de "superalimentos". Dentre estes, destacam-se 12 hortaliças (pimenta, tomate, brócolis, cebola, batata-doce, cenoura, morango, agrião, couve-de-bruxelas, repolho, alho e espinafre) e cinco frutas (kiwi, manga, castanha-do-pará, oliva e laranja). Estas hortaliças e frutas fazem parte de uma lista dos melhores alimentos para uma vida saudável, publicada pelo World Câncer Research Fund - WCRF-UK, uma entidade com base na Inglaterra, dedicada unicamente à prevenção de câncer pelo uso de dietas saudáveis associadas a estilos de vida. 

.Terapia ocupacional
   Cada vez mais tem sido importante a ocupação para as pessoas de todas as faixas de idade viverem mais e melhor. A horta, quando conduzida com prazer, é uma terapia eficiente para afastar problemas como estresse, depressão e outros. A violência e a dependência química podem começar com a ociosidade – especialistas que trabalham com meninos e meninas e seus relacionamentos com o crime acreditam que um período na escola é pouco para mantê-los longe da violência e dos vícios. No resto do dia é preciso ocupá-los com atividade saudáveis. A ocupação do tempo ocioso na condução de uma horta em instituições de caridade, penitenciárias, instituições de saúde (Figura 2) e outros é essencial para as pessoas sentirem-se úteis e melhorar a auto-estima.
  
    Segundo especialistas, o contato com plantas funciona muito bem como terapia ocupacional porque a grande dificuldade, especialmente do idoso, é não ter o que fazer. Quando assume a responsabilidade de cuidar de uma planta, a pessoa se sente muito bem porque vê os resultados. O fato de preparar o solo, semear, observar o crescimento, colher e consumir hortaliças e frutas frescas, saudáveis, sem adubos químicos e agrotóxicos, é uma experiência fantástica. Além disso, proporciona salutar exercício ao ar livre, atividade importante para prevenção de doenças. 

 . Educacional
   Além de produzir hortaliças para auto-abastecimento, a horta pode contribuir para integrar os objetivos do processo ensino-aprendizagem na escola, incentivando alunos e professores com relação à participação, à preservação ambiental e à mudança de hábitos e de atitudes relacionados à educação alimentar de alunos e suas famílias.

. Econômica 
    A horta doméstica ou comunitária objetiva também aumentar a renda da família ou de grupos de famílias ou, ainda, reduzir custos com sua alimentação e nas instituições que prestam serviços à comunidade, pois tudo que é produzido não se compra, evitando-se a saída de dinheiro. Na escola, além da importância educacional, a horta orgânica visa também melhorar a qualidade da merenda, acrescentando mais vitaminas e sais minerais, além de reduzir a despesa com a compra de alimentos. O aspecto econômico mais importante que não é contabilizado, mas deve ser levado em conta, é a saúde. As vitaminas, os sais minerais e as fibras, presentes em quantidades suficientes nas hortaliças, previnem as doenças e, com isso economiza-se com médicos e medicamentos.

. Medicinal 
   As hortaliças, além de serem reconhecidas pelo valor nutricional, possuem propriedades terapêuticas (Tabela 1). O consumo de hortaliças tem sido fortemente relacionado com a diminuição de riscos de doenças degenerativas. O licopeno (carotenóide), fitoquímico encontrado em algumas hortaliças, destaca-se pela eficiência como antioxidante natural e sua possível ação contra os câncer de próstata, de estômago e de pulmão. Pesquisa realizada na Alemanha e publicada no Journal of Nutrition, sugere que o licopeno pode trazer benefícios contra a hiperplasia benigna da próstata (BPH), a qual afeta mais da metade dos homens na faixa etária dos 50 anos. A fonte de licopeno mais conhecida é o tomate, mas também é encontrado na goiaba vermelha, no mamão vermelho, na melancia e na pitanga. Trabalho publicado na Revista Instituto Adolfo Lutz revela que a melancia tem conteúdo de licopeno semelhante ao encontrado no tomate e maior do que no mamão. Pesquisa feita nos Estados Unidos e publicada no Journal of National Câncer Institute, envolvendo 1300 voluntários e seus hábitos alimentares, sugere que o consumo regular de brócolis e couve-flor reduz o risco do homem desenvolver formas agressivas de câncer de próstata. Outra pesquisa realizada no mesmo país revelou que o consumo regular de alho, cru ou cozido, pode diminuir pela metade o risco de câncer de estômago. Os sucos de frutas e de hortaliças podem ser uma excelente forma para evitar os problemas do mal de Alzheimer, doença neurológica, progressiva e incurável que causa perda de memória e pode levar à morte. Os últimos estudos em animais evidenciam que os antioxidantes polifenóis, presentes na casca de hortaliças e frutas, neutralizam as decadências intelectual e física, típicas do envelhecimento. 
    De acordo com médicos naturalistas, a beringela é excelente para a pressão alta, ajuda a regular os níveis de colesterol e triglicerídios, além de outras propriedades terapêuticas. Para baixar a pressão, recomenda-se bater no liquidificador uma berinjela pequena com um copo de água, coar e tomar em jejum todos os dias; essa receita ainda é indicada para quem faz regime de emagrecimento podendo-se, neste caso, acrescentar suco de laranja.


Tabela 1. Propriedades medicinais, parte utilizada e uso das principais hortaliças.
 1 As mulheres grávidas devem consumir pouco o agrião, pois pode provocar o aborto.
 2 A coloração rosa ou avermelhada na urina ou nas fezes depois de comer beterraba é normal um a dois dias após, pois a betacianina, pigmento vermelho das beterrabas passa pelo sistema digestivo sem ser decomposta.
3 Não se recomenda para quem sofre de ácido úrico, gota e cálculos renais. 



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Húmus de Minhoca



Observando os diversos tipos de fertilizantes químicos disponíveis no mercado atualmente, encontramos diferentes opções.

Superficialmente esses produtos podem parecer uma boa escolha, porém, as consequências em longo prazo são demasiadamente prejudiciais para o consumidor final e, principalmente para o agricultor orgânico, que terá seu solo desgastado e empobrecido pelos produtos químicos ali presentes.

Uma forma milenar de renovar nos nutrientes absorvidos pelas plantas é a utilização de materiais já degradados no solo, ou seja, o reaproveitamento de lixos orgânicos disponíveis na natureza para a revitalização da terra.

Um solo realmente saudável é um solo vivo. Existem milhões de organismos que são fundamentais para a ciclagem de nutrientes no ecossistema edáfico. As minhocas juntamente com cupins, formigas, algumas espécies de besouros e outros insetos formam uma grande rede da macrofauna de decompositores da matéria orgânica. Alem de melhorar a estrutura do solo, a presença de minhocas aumenta a taxa de infiltração, contribui para a formação de agregados e conseqüentemente aumentando à resistência do solo a erosão. O uso de minhocas para acelerar o processo de decomposição da matéria orgânica é chamado de Vermicompostagem.

Sua alimentação é basicamente formada de partículas minerais do solo e resíduos orgânicos como restos vegetais e pequenos animais. Logo ela pode ser considerada onívora, e esse comportamento alimentar que faz das minhocas verdadeiras engenheiras do ecossistema.

Após a ingestão, o alimento passa pelo seu trato intestinal onde sofre a ação de várias enzimas e outros microrganismos presentes tais como, bactérias fixadoras de nitrogênio, catalizadores de hormônios vegetais e solubilizadores de fosfato. Desde modo, um solo com a presença de minhocas sofre alterações em seu pH, e na disponibilidade de nutrientes com destaque para o Calcio, Magnésio, Fosforo, Potássio e Nitrogênio.
No processo digestivo da minhoca, 40% da matéria orgânica consumida é utilizada para seu desenvolvimento e o restante (60%) são transformados em húmus. O que é conhecido como húmus de minhoca nada mais é que seu excremento, também chamado de Coprólito. O húmus influencia diretamente no crescimento das plantas em virtude da presença de hormônios reguladores do crescimento vegetal e ácidos húmicos. Alem disso, estudos recentes também apontam que a utilização do húmus tem um grande potencial de controle de patógenos associados a doenças de plantas, principalmente bactérias e fungos.

Só para ter uma idéia, a concentração média dos principais nutrientes no húmus fica em torno de 1,5% de N (Nitrogênio), 1,3% de P (Fosforo), 1,7% de K (Potássio), 1,4% de Ca (Calcio) e 0,5% de Mg (Magnésio).
Baseado nos benefícios das minhocas tanto para o solo quanto para as plantas, que muitos agricultores estão optando pela produção própria do húmus, processo conhecido como Vermicompostagem. Ou seja, uma decomposição controlada, realizada pela macrofauna do solo, neste caso, as minhocas.

Um exemplo de sucesso de criação de minhocas e produção de húmus é o do Sitio Duas Matas, localizado no município fluminense de Varre-Sai, bem na divisa com o município de Guaçuí, Região do Caparaó Capixaba.

Alem da criação de minhocas, o Sítio produz milho e araruta. Toda a administração do minhocário é realizada pelo gerente produção Maxwel Lopes que me explicou todas as etapas do processo produtivo do húmus.

Apesar de ter o minhocário a mais de 8 anos, a criação intensiva para a produção de húmus teve inicio em 2010. Maxwel explica que o processo de vermicompostagem tem 4 etapas.
Na primeira etapa ocorre a maturação do esterco bovino, onde ele passa por um processo de pré-compostagem. “Aqui é o principio de tudo, o esterco recém chegado fica aproximadamente 30 dias na quarentena passando da cor esverdeada para uma cor preta, pois está quase ficando curtido.” “De dois em dois dias o esterco é revirado até completar a fermentação, sempre observando a necessidade de água. No final de 30 dias ele já perdeu aproximadamente 40% do seu volume” A 1ª etapa é quando o esterco de curral cru é deixado fermentar sempre mantendo uma umidade numa faixa de 50 a 70%.

Após a 1º etapa é feito um teste medindo a temperatura da pilha de esterco, se a temperatura estiver estabilizada significa que já pode ir para os canteiros diretamente para ser colonizado pelas minhocas. “Esse é o processo mais rápido que tem para preparar uma comida para as minhocas e transformar em húmus, mas existem outros materiais que podem ser adicionados ao esterco para enriquecer o húmus” – Explica Maxwel.
Essa é a segunda etapa quando é feita a compostagem orgânica, utilizando alem do esterco, outros resíduos orgânicos disponíveis no Sítio. Na propriedade rural quase todos os resíduos orgânicos são aproveitados. “Na compostagem a gente usa vários materiais aqui da natureza, restos de jardim, resto de silagem, palha de café, grama forrageira, tudo isso a gente mistura no pátio e a partir de 120 dias o composto orgânico fica pronto para ser servido as minhocas.”

Então são dois caminhos para elaborar o substrato que será transformado em húmus pelas minhocas. O primeiro é a utilização do esterco puro curtido e o segundo, o fornecimento da compostagem que leva mais tempo para ficar pronto, porem produz um húmus de melhor qualidade. “O que faz o húmus ficar melhor é quanto mais diferenciado for os materiais utilizados na produção de alimentos para as minhocas” 
Na terceira etapa do processo, depois do alimento das minhocas pronto, tanto o esterco puro, quanto o composto orgânicos são colocados em canteiros de alvenaria, que são chamados de “cochos”. Os canteiros tem 1 metro de largura e 0,40 m de altura. As minhocas são colocadas sobre o canteiro, numa proporção aproximada de 0,5 a 1kg por metro quadrado. Como elas se alimentam sempre da parte superior para a inferior, a cada trinta dias é coletado manualmente uma parte do húmus.

As minhocas são extremamente sensíveis a luz, ao excesso de umidade, e a temperatura então cada canteiro recebe duas coberturas, uma para diminuir a incidência de luz e uma cobertura mais alta para abrigar de chuvas. É nessa etapa que se deve ter o máximo de cuidado, pois a faixa de temperatura de desenvolvimento normal das minhocas deve fica de 15 a 33˚C, e umidade relativa de 75 a 88%.

A principal espécie de minhoca para a produção de húmus é a Eisenia foetida, conhecida vulgarmente como Vermelha-da-California, é uma espécie exótica mais apropriada para a produção de húmus. Mas existem outras como a Eudrillus eugeniae
Após a coleta do húmus, inicia-se a quarta etapa do processo que é a secagem e embalagem para venda. A secagem é feita a sombra até atingir 30% de umidade, então é embalado em sacos plásticos de 2 a 30kg,  e armazenados em local fresco e a sombra.

O húmus é utilizado por horticultores da região principalmente em cultivos de tomate para mesa. É comercializado também em lojas de jardinagem para uso doméstico em pequenas hortas e plantas ornamentais. Há mercado também para venda de minhocas e casulos para alimentação de animais e outros minhocários.
A vermicompostagem é uma forma de substituir o uso de fertilizantes sintéticos e aproveitar toda a matéria orgânica disponível para produzir um adubo orgânico de extrema qualidade. No caso do Sitio Duas Matas, o esterco de curral ainda é todo comprado de pecuaristas da região, mas o plano é integrar com a atividade de pecuária leiteira reduzindo ainda mais o custo de produção. Segundo Maxwel, todos os cuidados são tomados no momento da seleção de fornecedores de esterco, pois as minhocas são sensíveis a qualquer tipo de agrotóxico e excessos de antibióticos utilizados nos animais que podem passar para o esterco, provocando a morte das minhocas.
A integração das atividades utilizando a vermicompostagem dentro da unidade produtiva aumenta a reciclagem de nutrientes, reduz os custos de produção, aumenta a fertilidade do solo, a resistência das plantas a insetos-praga e doenças, alem de produzir alimentos num ambiente equilibrado e  de forma sustentável.


sábado, 29 de julho de 2017

Adubação Orgânica em Horta



Sempre que possível e econômica, a adubação orgânica deve ser efetuada. Para a cana-de-açúcar, o uso de vinhaça e torta de filtro, resíduos importantes da agroindústria canavieira, representam importantes aportes de matéria orgânica e de potássio e fósforo, respectivamente.

A manutenção da palhada sobre o solo também garante importante reciclagem de nutrientes, principalmente de potássio e nitrogênio. Quanto à adubação orgânica, todas as fontes de material orgânico que não contenham elementos tóxicos ou contaminantes podem ser utilizadas. É necessário lembrar que as fontes orgânicas não contém todos os nutrientes em quantidades balanceadas. Portanto, pode ser necessário adicionar, também, adubos químicos.

Para a cana, os resíduos das usinas, como a torta de filtro e a vinhaça, são excelentes fontes de fertilizantes orgânicos. Os compostos formados com essas fontes são, também, de grande eficiência e podem ser adicionados a outros resíduos, como a cama de frango, palhadas, restos de cultura, dejetos animais, lixo orgânico e lodo de esgoto, desde que não contenham metais.

A adição de matéria orgânica melhora, consideravelmente, as características físicas e biológicas do solo. Os maiores benefícios constatados são: 

redução do processo erosivo; 
maior disponibilidade de nutrientes às plantas;
maior retenção de água;
menor diferença de temperatura do solo durante o dia e a noite;
estimulação da atividade biológica;
aumento da taxa de infiltração;
maior agregação de partículas do solo.
A adubação orgânica tem, ainda, outros aspectos bastante favoráveis. Ela utiliza resíduos cujo descarte causaria impactos ambientais. Outro ponto forte desse tipo de adubação é o seu tempo de duração. O processo de absorção dos nutrientes orgânicos envolve decomposição e mineralização. Assim, a adubação orgânica é uma fonte de nutrientes lenta e duradoura.

Contudo, a composição nutricional da adubação orgânica, em alguns casos, pode não ser balanceada, devido à origem da matéria-prima empregada nesse tipo de adubação (Tabela 1), tornando-se necessária a complementação com fertilizantes minerais. 

Tabela 1. Composição química típica de vários materiais orgânicos de origem animal, vegetal e agroindustrial. 



O maior empecilho do emprego da adubação orgânica em grandes áreas é a falta de equipamentos adequados para a aplicação no campo, pois, geralmente, são materiais com alto teor de umidade, o que torna a atividade pouco eficiente e demorada em relação à adubação mineral. 

Estercos de origem animal

Dos adubos orgânicos, o esterco animal é considerado o mais importante, sendo que seu principal nutriente é o nitrogênio. Sua composição química possui outros elementos, como o fósforo e o potássio. Apesar de ser bastante rico em nutrientes, pelo fato de a concentração dos elementos químicos presentes no adubo ser desbalanceada, o esterco animal deve ser aplicado e complementado por doses adicionais de fertilizantes minerais. A mistura de esterco com adubos fosfatados tem mostrado excelentes resultados, pois além de ajudar a reter o fósforo no solo, reduz as perdas de nitrogênio.

Compostos

O composto é resultado da decomposição de restos vegetais. A decomposição pode ser feita com o auxílio de camadas superficiais de terra ou esterco animal que, pela presença de grande quantidade de microrganismos, aceleram a decomposição do material vegetal. A decomposição dos restos vegetais também é possível por meio da adição de corretivos, como o calcário e a uréia na mistura.

Os compostos podem possuir diferentes quantidades de carbono, nitrogênio e outros nutrientes. A relação entre as quantidades de carbono e nitrogênio e carbono e fósforo dá uma idéia do tempo de liberação dos nutrientes no solo. Assim, é possível prever quando será necessária uma nova aplicação.

Lodo de esgoto e lixo urbano

Os lodos de esgoto, embora muito carentes em potássio, possuem elevados teores de fósforo. Por sua vez, o lixo urbano é rico em nutrientes importantes para as plantas. Porém, a aplicação deles exige alguns cuidados, pois há possibilidade da presença de patógenos e metais pesados em ambos.

O lodo de esgoto ou biossólido e o lixo urbano são recomendados como fonte de nutrientes, principalmente para a manutenção de parques e jardins, culturas de interesse madeireiro ou para produção de alimentos, desde que o produto da colheita, durante seu desenvolvimento, não tenha tido contato direto com o lodo, como exemplo, as espécies frutíferas.

Vinhaça

Além de ser uma excelente fonte de potássio, a vinhaça é também fonte de muitos outros nutrientes, como nitrogênio, cálcio, magnésio, zinco e cobre. A vinhaça é recomendada conforme a fertilidade do solo e o tipo de mosto responsável por sua obtenção. Sua aplicação nas propriedades agrícolas tem sido responsável por aumentos de pH e notável elevação da atividade biológica do solo.

A quantidade de vinhaça a ser aplicada na propriedade varia de 60 a 250 metros cúbicos por hectare, conforme a concentração de potássio existente no solo. A aplicação da vinhaça é uma boa opção para os produtores de cana-de-açúcar, pois, como é gerado pela indústria canavieira, sua obtenção é relativamente fácil.

Torta de filtro

Assim como a vinhaça, a torta de filtro também é um resíduo gerado nas etapas de produção da agroindústria canavieira. Isso facilita a sua obtenção para o produtor de cana-de-açúcar.

Além de possuir alto teor nutricional já no primeiro ano de aplicação, a torta de filtro é capaz de liberar grande quantidade dos seus nutrientes no solo. Outra boa característica é sua capacidade de reter água e de manter a umidade do solo.

O resíduo umidecido pode ser aplicado na cultura da cana-de-açúcar em área total, com uma concentração de 80 a 100 toneladas por hectare. No sulco do plantio pode ser aplicada com uma concentração de 15 a 30 toneladas por hectare e, nas entrelinhas, com uma concentração de 40 a 50 toneladas por hectare.

Adubação orgânica para hortas caseiras

As plantas necessitam de vários nutrientes para se desenvolverem de forma equilibrada e cumprirem sua função no ambiente. São mais de 35 nutrientes absorvidos pela planta, no entanto existem aqueles que são exigidos em maior quantidade.
Para facilitar sua compreensão, os nutrientes essenciais para as plantas foram divididos em Macronutrientes e Micronutrientes. De forma bem simples, os Macronutrientes são os que as plantas absorvem em maior quantidade e os micronutrientes são absorvidos em menor quantidade.
Isso não significa que a importância de um nutriente está na quantidade que a planta absorve. O que importa é o equilíbrio nutricional de tal modo que se aquele nutriente que a planta absorve em pequena quantidade não estiver presente ou em deficiência, pode interferir na absorção de outros nutrientes e, por consequência no desenvolvimento da planta.

Macronutrientes e Micronutrientes

Os macronutrientes são o Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Enxofre (S) e Magnésio (Mg). Os micronutrientes mais importante são o Boro (B), Zinco (Zn), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Molibdênio (Mo) e Níquel (Ni).
O símbolo de cada nutriente acompanha a tabela periódica dos elementos, por isso que o Fósforo, por exemplo é representado pela letra “P”, (Phosphorus em latin).
Cada nutriente exerce uma ou mais funções na planta de tal modo que seu excesso ou falta prejudica vários processos vitais para seu desenvolvimento. Há também interações benéficas e maléficas entre os nutrientes como por exemplo a relação Ca/Mg que de acordo com pesquisas para alguns cultivos, deve estar em 4 partes (Ca) para 1 parte (Mg) na planta. Outra exemplo é a função do potássio como estimulante para a planta resistir ao ataque de insetos e pragas.

Fontes de Nutrientes

Todas as fontes de nutrientes para as plantas são naturais, são extraídos da natureza! O que diferencia são os processos químicos e industriais que essas fontes passam para agregar alguma função como a solubilidade, concentração e maior disponibilidade para as plantas.
A agricultura mundial utiliza fontes de nutrientes altamente solúveis baseadas em Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), conhecido como N-P-K. Com certeza se você já foi numa loja agrícola ou de jardinagem se deparou com adubos com essas letras.
Ocorre que o uso de adubos muito solúveis trazem alguns efeitos colaterais como a acidificação mais rápida do solo, aumento da infestação de pragas, diminuição dos microrganismos do solo, além de um grande gasto energético nos processos industriais de obtenção.
O uso dessas fontes de nutrientes  é proibido em sistemas de produção de alimentos orgânicos, são preferidos fontes orgânicas provenientes da transformação de restos vegetais e animais através da compostagem (fermentação) realizada por centenas de milhares de microrganismos. Eles decompõem a matéria orgânica, liberando os nutrientes para as plantas.
Então se você já tem ou pretende fazer uma horta orgânica de qualquer tamanho, use somente adubos orgânicos que vão fornecer bem mais que os nutrientes para as plantas. Estão presentes nos adubos orgânicos, microrganismos benéficos ao solo, hormônios vegetais, indutores de crescimento e de resistência às pragas e doenças. Melhora a capacidade do solo em armazenar água, facilita sua aeração e a descompactação.   
As fontes orgânicas de nutrientes mais comuns são: Estercos de animais (bovino, equino, caprino, coelhos, suínos). Húmus de minhocas, obtido pelo processo de digestão da matéria orgânica pelas minhocas, aliás escrevi um artigo sobre o poder do húmus de minhoca e os passos para obtenção.
O problema de sua utilização é a disponibilidade e a qualidade desses tipos de adubos aí na sua região. Você tem dois caminhos: fazer seu próprio adubo orgânico ou compra-lo em lojas de jardinagem e/ou agrícolas.
O primeiro caminho requer mais tempo e matéria orgânica em qualidade e quantidade suficientes, mas esse assunto vou tratar nos próximos artigos. O segundo é mais fácil e rápido e você deve estar atento a origem desse adubo, alguns vêm misturados com fontes solúveis como a uréia (fonte de N), superfosfato simples (fonte de P) e cloreto de potássio (fonte de K).
Aqui vai algumas recomendações que devem ser observadas no momento da compra de adubos orgânicos:
  • Prefira adubos com o Selo Nacional de Conformidade Orgânica, ele é mais uma garantia que é permitido para sua horta;
  • Observe algumas informações no rótulo como a umidade e a garantia mínima de nutrientes. A umidade tem que ser no máximo 30%, cuidado para não comprar mais água a adubos; As garantias mínimas de nutrientes servirão de base para calcular a quantidade de adubos aplicados em sua planta, e se você tem dúvidas em relação a isso, posso te ajudar com recomendações específicas para o seu caso.
  • Uma informação simples mas que muita gente não se atenta é a validade. Adubos orgânicos fora da validade podem estar contaminados com fungos e bactérias que causam doenças em plantas. A quantidade de nutrientes diminui ao longo do tempo. Já atendi muitos agricultores que compraram adubos orgânicos fora da validade ou não se atentaram para essa informação e não tiveram resultado esperado.

Quando e quanto usar?

Cada planta tem  necessidades específicas de nutrientes, e para fazer uma recomendação mais precisa de adubação é necessário conhecer o seu solo. Para isso só coletando uma amostra e enviar para um laboratório para conhecer a quantidade de nutrientes seus índices de fertilidade.
Como sei que para hortas orgânicas caseiras, esse tipo de análise é mais difícil de ser realizada, existem algumas recomendações básicas para o momento de plantio e manutenção da sua horta.

Horta em vasos

A absorção de nutrientes das plantas em vasos é diferente pois as raízes têm impedimentos físicos ao seu crescimento. Dessa forma a absorção  pode ocorrer de forma mais intensa em  todo o volume do vaso, o que não ocorre quando plantadas em canteiros.
Hortaliças folhosas (Alface, cebolinha, coentro, couve e salsa)
Adubação de plantio: 1:1 ( uma parte de terra para uma parte de adubo orgânico)
Adubação e manutenção: 50 a 100 g por vaso a cada 15 dias dependendo do ciclo da hortaliça, para alface por exemplo duas adubações bastam pois ela será colhida com 25 a 35 dias após o plantio nos vasos
Hortaliças que dão frutos (Tomate, pimenta, pimentão, berinjela, abóboras)
Adubação de plantio: 2:1 (duas partes de terra para 1 parte de adubo)
Adubação de manutenção: 150 a 200 g de adubo orgânico por planta após 30 dias do plantio até o início do florescimento, aumentar para 200 a 300 g por planta a cada 15 dias na fase de florescimento e frutificação.



Horta em canteiros e berços
Para hortas orgânicas em canteiros o parâmetro de adubação usado é a quantidade por metro quadrado de canteiro. Berços são orifícios circulares, retangulares ou quadrados feitos no solo para o plantio sem a necessidade de canteiros. É mais comum chamar de covas, no entanto a palavra cova é usada para coisas mortas, neste caso estamos plantando seres vivos, então a palavra berço gera um sentido de cuidado maior, aliás essas plantinhas são verdadeiros bebês.
Hortaliças folhosas
Adubação de plantio: 1 a 2 kg/m2 de adubos orgânicos
Adubação de manutenção: 300g/m2 15 dias após o plantio dependendo do ciclo da hortaliça.


Hortaliça-fruto em berços

Adubação de plantio: 500 a 600g/planta
Adubação de manutenção: 300g/planta 20 dias após o plantio, repetindo a cada 20 dias até o início do florescimento. Nesta fase aumentar para 400g/planta mantendo a mesma frequência de aplicação.

Só lembrando que são recomendações médias baseadas na literatura, e em minha experiência ao longo de 12 anos ajudando agricultores na área urbana e rural a cultivarem hortas e pomares em transição ou em sistemas orgânicos consolidados.
Se você cultiva ou pretende cultivar em áreas acima de 1000 m2 recomendo que faça uma análise química e física do solo e peça para um Agrônomo fazer a interpretação e recomendação da adubação. Sei que ainda ficaram algumas dúvidas, não se acanhe e escreva suas perguntas e sugestões  na área de comentários.